Os constantes aumentos no custo dos insumos da construção civil estão fazendo as empresas revisarem as tabelas de preços atuais dos imóveis. O INCC acumulado de 12 meses foi de 8,6%
Viviane Barros Lima
vlima@jc.com.br
O aumento no preço do material de construção já tem impacto nas contas das empresas do setor e vai ser repassado para o valor final dos imóveis. As construtoras planejam incrementos de até 7%. Os maiores impactos são do reajuste no preço cobrado pelo aço, cimento e itens feitos com PVC, como tubulações, por exemplo. O Índice Nacional da Construção Civil (INCC) medido pela Fundação Getúlio Vargas foi de 8,6% no acumulado nos últimos 12 meses.
“Já este mês, vamos aumentar o preço dos apartamentos em 5% por causa do reajuste do aço. Este ano, o produto já subiu 25% e ele representa até 15% do custo total da obra. É um impacto considerável”, diz Claudio Freitas, diretor da Freitas Construções.
Na Construtora BCF, a expectativa de aumento deve variar entre 5% e 7%. “Estamos com dois empreendimentos para começar a construir ainda este ano. Eles vão ter reajuste. Só vamos segurar o aumento para o estoque que já está pronto e os prédios em final de construção”, explica o diretor da empresa Claudio Fernandes. Ele acredita que a concorrência no mercado de fornecimento de aço e materiais de PVC é pequena e isso influencia nos constantes reajustes do preço.
Na Pernambuco Construtora, o aumento entre 2% e 5% vai ser diluído nos próximos três meses. A empresa não quer que os clientes sintam um impacto de uma só vez. Este ano, os preços já subiram 4%. “Isso atinge todos os imóveis em construção e os novos lançamentos também”, lamenta Mariana Wanderley, gerente de Marketing da empresa.
Para o presidente da Associação das Empresas do Mercado Imobiliário de Pernambuco (Ademi), Marcello Gomes, as construtoras de todo o Brasil estão preocupadas com o aumento dos insumos. “Estamos lutando com os fornecedores para não ter um repasse grande.” Segundo ele, as empresas ainda não falam em aumento generalizado, mas alguns empresários devem fazer o repasse em poucas semanas. “O aço é um grande impacto. Não só o aço usado no grosso da obra, mas também nos elevadores, fechaduras, produtos para o banheiro”, completa.
ESTOQUE
Na Hábil Engenharia, os preços ainda estão sendo mantidos porque a empresa tem um estoque de insumos. “Estamos segurando o preço por enquanto, mas não vamos conseguir fazer isso por muito tempo”, diz Fernando Cabral, um dos diretores da empresa.
Carol Boxweel, superintendente Comercial e de Marketing da Queiroz Galvão, informa que a empresa está investindo bastante em gestão e no uso de novas tecnologias nas obras para cortar custos e prevenir os aumentos para os clientes. Outra tática das construtoras é aumentar os pedidos. Ao invés de fazer a encomenda para um só prédio, elas compram o material para várias obras. “Tentamos pagar à vista para receber desconto. Mas eles estão ficando cada vez menores”, calcula o diretor da Construtora BCF Claudio Fernandes. Em São Paulo, as construtoras se uniram em uma associação para fazer os pedidos dos insumos juntas. A idéia é ter mais poder para negociar com os fornecedores e tentar fugir do aumento de preços generalizados.
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