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Minha nossa! O apartamento encolheu

08.03.2009
Jornal: Diario de Pernambuco
Caderno: Economia
  
IMÓVEIS // Maioria das unidades oferecidas em dezembro tinha até 70m2. Empresários e arquitetos apontam raízes socioculturais e econômicas

Sala para dois ambientes, varanda, cozinha, área de serviço, três quartos, sendo uma suíte, banheiro social. Tudo isso em pouco mais de 50 metros quadrados. E ainda falta acrescentar pai, mãe, o casal de filhos, o gato e o cachorro.

Recém-casados Clarissa e Rodrigo vão dividir apartamento com 85m2. Foto: Alexandre Gondim/DP/D. A Press
Esse é apenas um exemplo do encolhimento dos imóveis nos grandes centros urbanos do país, cada vez mais observado na Região Metropolitana do Recife. Os dados do Índice de Velocidade de Vendas (IVV) - levantamento realizado pela Unidade de Pesquisas Técnicas da Fiepe - mostram que 67,2% das 6.465 unidades ofertadas pelas construtoras em dezembro passado tinham até 70 metros quadrados.

Os apertamentos dominam os lançamentos. Muitos deles podem ser conferidos no 2º Salão Imobiliário de Pernambuco, que começou quarta-feira passada e termina neste domingo no Centro de Convenções. Empresários da construção civil e arquitetos destacam que a oferta de moradias menores tem raízes socioculturais e econômicas. O perfil da família mudou. Elas estão menores. Ao invés de sair da casa dos pais para morar de aluguel, os jovens estão juntando dinheiro para comprar o primeiro apartamento antes dos 30 anos. Tendo casado ou não. Já a famosa classe C passou a ter acesso a financiamento bancário e entrou definitivamente no mercado imobiliário.

"Com a urbanização acelerada, começou a ter escassez de áreas. É preciso otimizar o espaço", afirma Marcello Gomes, presidente da Associação das Empresas do Mercado Imobiliário de Pernambuco (Ademi-PE), que defende a adequação do produto à demanda do comprador. Especialmente o da classe C. "Não adianta oferecer um apartamento grande se ele não pode comprar". Por isso, há, segundo ele, o crescimento expressivo do segmento "econômico", descoberto também por construtoras que antes eram voltadas exclusivamente para consumidores de alto poder aquisitivo. A Queiroz Galvão é um exemplo. A empresa até lançou um linha específica para o segmento, a Slim.

O primeiro lançamento "econômico", em dezembro de 2007, foi o Vila Jardim, no bairro de Jardim São Paulo, com unidades de 60 metros quadrados. Na última semana, a empresa lançou em parceria com a ACLF Empreendimentos o Park Jardins, o primeiro do projeto Nova Paulista, às margens da rodovia PE-15. Ao todo serão 704 unidades, distribuídas em 11 torres. Cada apartamento terá 60 metros quadrados. Um novo lançamento já previsto, o Grand Village Residence, ainda mais "econômico", com 44 metros quadrados. "O limite de renda da população faz com que as unidades sejam cada vez mais compactas", diz a superintendente comercial e de marketing, Carol Boxwell.

Circulação - Ela destaca que existe uma nova "concepção arquitetônica", com a otimização das áreas privativas. As áreas de circulação foram bastante reduzidas nas novas construções. As varandas, por sua vez, sumiram dos quartos (e muitas vezes das salas também). Marcello Gomes, da Ademi-PE, lembra que, por outro lado, houve o aumento das áreas de lazer nos condomínios. Pleito feito, segundo ele, pelos próprios clientes. "Hoje, boa parte dos prédios oferece espaço para as crianças, que antes brincavam no campinho do bairro, nas praças". Reflexo do medo da violência que, ao contrário na contramão dos imóveis, aumenta em cada um de nós.
 
 
 

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